segunda-feira, 9 de março de 2009

Lucro de poucos, custo de todos

Por Jose Ricardo Pinto
Há mais de um ano, o mercado financeiro internacional já vem enfrentando uma crise. Tudo começou quando o setor imobiliário americano ou a chamada bolha imobiliária dos Estados Unidos não suportou a pressão e explodiu. Algumas empresas ligadas a construção civil daquele país declararam falência. Outras receberam ajuda do governo para se manterem em funcionamento.

Recentemente, a crise atingiu o seu ponto mais alto. As bolsas de valores de todo o planeta registraram fortes quedas, algumas chegaram até parar suas atividades para retomá-las mais adiante. Desta vez, o que causou tal desespero no mercado foi o anúncio da falência do banco americano Lehman Brothers. Um banco com mais de 100 anos de história. Outra notícia que causou impacto negativo foi o provável pedido de falência da American Internetional Group – AIG – que é considerada uma das maiores seguradora do mundo. No Brasil, essa seguradora é ligada a um grande banco.

O mercado financeiro, como todos sabem, é um setor privado independente da ação dos governos. Ele é, sem dúvida, o exemplo mais fiel do que vem a ser a essência do capitalismo. No entanto, diante de qualquer momento ruim o mercado não consegue achar uma saída sozinho. Para conter a choradeira, o governo dos EUA anunciou uma injeção de 85 bilhões de dólares na AIG. Essa medida evitou que a empresa fosse à falência. A maioria dos países ricos, através de seus Bancos Centrais, colocou dinheiro no mercado. Só Inglaterra, Japão e União Européia se dispuseram, juntos, de cerca de 280 bilhões de dólares.

O que devemos observar é que os EUA salvaram a AIG do buraco com dinheiro público. Aqueles 280 bilhões de Inglaterra, Japão e União Européia também são recursos do contribuinte. Quando o mercado está de bem com a vida, os lucros são gastos por meia dúzia de mega milionários espalhados pelo mundo. Mas, quando a coisa vai mal, a conta sobra para o coletivo, para quem não tem nada a ver com a história. É o dinheiro do povo que livra a cara do capitalismo e dos espertalhões capitalistas. O lucro é privado, mas as perdas são publicas.Não obstante, o governo americano prometeu criar um fundo de aproximadamente 800 bilhões de dólares para saldar os títulos podres das grandes instituições financeiras. É uma pequena fortuna paga pelo povo dos Estados Unidos. Por aqui, um dos efeitos imediatos do alvoroço internacional foi a super valorização do dólar. E para conter esse aumento, o Banco Central resolveu leiloar no mercado cerca de 500 milhões de dólares. O povo brasileiro sofre com uma das maiores cargas tributárias do mundo e nem se dá conta de que parte da arrecadação, ainda que pequena, está sendo destinada a acalmar especuladores internacionais.

Este artigo foi publicado pelo Diário da Região (Osasco) em 3 de outubro de 2008. Também está disponível em www.webdiario.com.br

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