domingo, 18 de outubro de 2009

Pré-sal no palanque


Por José Ricardo Pinto
O Brasil está em vias de definir as normas para exploração do pré-sal, seu novo poço de petróleo. Quando foi descoberta a nova jazida, há aproximadamente dois anos, os especialistas colocaram em dúvida a viabilidade financeira da camada pré-sal devido à profundidade, de seis a sete mil metros. Para valer a pena o investimento, o preço do barril de petróleo no mercado internacional deveria está em torno de US$ 140 dólares. O governo do presidente Lula já enviou as regras de extração ao Congresso Nacional e pediu urgência na aprovação. Mesmo com o barril cotado abaixo de US$ 100 dólares.

O Brasil já havia anunciado auto suficiência em petróleo. Ou seja, o que é produzido aqui dá para manter o país inteiro e ainda sobra para exportação. Pelo menos é o que diz o governo. Agora com os bilhões de barris da camada pré-sal essa situação fica mais evidente. Podemos então, imaginar os benefícios dessa quantidade elevada de petróleo que o Brasil possui: gasolina mais barata, óleo diesel também com preço baixo, e claro, todos derivado do petróleo ficando mais acessíveis à nação.

Mas, não nos iludamos porque isso não vai acontecer. O ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, já se antecipou e disse que os preços da gasolina e do diesel não vão baixar. A riqueza do pré-sal, segundo o ministro, o governo quer aplicar, entre outras coisas, em obras sociais como as do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Investir no PAC é válido, mas o governo não consegue enxergar os benefícios para o Brasil de ter o preço do diesel e da gasolina em um nível mais baixo.

No Brasil, a grande maioria do sistema de produção é transportada pelas vias rodoviárias. Se o diesel fosse mais barato o preço do frete também seria. E com isso os produtos chegariam ao consumidor final custando menos, o que daria mais poder de compra aos brasileiros. Com o povo consumindo mais, o país cresce mais naturalmente. Mas, do ponto de vista do governo, é melhor investir em obras que possam ser mostradas depois. Vale lembrar que estamos a um ano da sucessão presidencial e quem está lá (o PT) precisa apresentar seus feitos para eleger o sucessor (a Dilma).

Os resultados efetivos da produção do pré-sal ainda vão levar anos para acontecer. Mas, o presidente Lula quer aprovar o projeto de lei que regulamenta a exploração ainda este ano. No ano que vem, com as regras aprovadas, o governo irá subir no palanque da Dilma, ano da eleição, e apresentá-las ao povo brasileiro.

O pré-sal está sendo usado como um feito político. Basta ver a propaganda que o governo está fazendo em torno da exploração. As coisas estão sendo conduzidas de maneira a dá impressão de que a riqueza pertence ao governo e não ao Estado brasileiro.


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sábado, 17 de outubro de 2009

Não somos patriotas

Por José Ricardo Pinto
No inicio deste ano os Estados Unidos empossaram Barack Obama como seu novo presidente. A maioria dos brasileiros ficou sabendo que Obama é o quadragésimo quarto cidadão norte-americano a ocupar a cadeira de presidente daquele país. No dia primeiro de janeiro de 2003, Luiz Inácio Lula da Silva foi empossado presidente do Brasil. Alguém sabe que posição nosso presidente ocupa no ranking dos presidentes brasileiros?

A grande maioria dos brasileiros realmente não sabe qual a posição do presidente Lula na lista dos presidentes. Isso seria falta de patriotismo ou descrença na turbulenta República brasileira? Talvez um pouco das duas coisas. Mas nós, brasileiros, costumamos dar mais importância às coisas que veem de fora do que as nossas. Nossos valores ficam em segundo plano. As pessoas preferem o inglês ao português quando dão nomes a seus estabelecimentos comerciais – não todos, é claro. Será que vão vender mais por isso?

Voltemos à questão presidencial. O primeiro brasileiro a ocupar o cargo de presidente da República foi o marechal Deodoro da Fonseca, em 1889. Neste mesmo ano o republicano Benjamim Harrison assumiu a Casa Branca, já era o vigésimo terceiro. Além de ser cem anos mais jovem do que a americana, se é que dar para falar assim, a República brasileira passou por alguns percalços.

Por duas vezes uma junta governativa assumiu a presidência. A revolução de 30 (1930) derrubou Washington Luis e impediu que o presidente eleito, Julio Prestes, fosse empossado. Então, Augusto Fragoso, Isaias de Noronha e Mena Barreto formaram a junta e ficaram no poder de 24 de outubro a 3 de novembro de 1930 quando Getulio Vargas assumiu ainda na qualidade de governo provisório. A outra junta foi formada por Aurélio de Lima Tavares, Augusto Rademaker e Márcio Melo, em 1969, de 31 de agosto a 30 de outubro.

Em 1961, o Brasil teve vários presidentes. Juscelino Kubitschek entregou o cargo a Jânio Quadros no dia 31 de janeiro. Menos de 7 meses depois Jânio renunciou. João Goulart (o Jango) era o vice, mas quem assumiu foi o presidente da câmara dos deputados, Ranieri Mazzilli, em 25 de agosto. Jango só assumiu o cargo no dia 7 de setembro. No dia seguinte o regime parlamentarista se instala no Brasil e vigora até dia 24 de janeiro de 1963. Neste período o primeiro ministro brasileiro foi Tancredo Neves. Os historiadores afirmam que o parlamentarismo foi uma imposição para que Jango assumisse o cargo.

Três nomes aparecem na lista dos presidentes brasileiros, mas não chegaram ao poder. Rodrigues Alves (1918), Júlio Prestes (1930) e Tancredo Neves (1985). Rodrigues Alves já havia sido presidente, no período de 1902 a 1906.

Sem levar em consideração as juntas governativas Luiz Inácio Lula da Silva é o 35º brasileiro a ocupar a cadeira de presidente da República brasileira.

Este artigo foi publicado pelo jornal Diário da Região (Osasco) 14 de agosto de 200. Também disponível em www.webdiario.com.br

“Era Dunga” sim, mas vitoriosa

Por José Ricardo Pinto
Os especialistas em analise do futebol dizem que o técnico da seleção brasileira deveria ser um desses treinadores com muita experiência no cargo. Luiz Filipe Scolari, o Filipão, campeão da copa de 2002 é unanimidade. Wanderlei Luxemburgo, que já teve sua chance, também é bem cotado. Muricy Ramalho, Emerson Leão, Abel Braga, Paulo Autuori, Mano Menezes, entre outros, têm seus trabalhos reconhecidos, o que os credenciam para dirigir a seleção canarinha.

Mas, o que dizer quando alguém que nunca dirigiu time algum, assume o comando técnico do selecionado brasileiro? Críticas, muitas criticas, e até ofensas ao treinador. Foi o que aconteceu com Dunga quando assumiu o Brasil logo após o vexame de 2006 dos comandados pelo experiente e tetracampeão mundial, Carlos Alberto Parreira. O que não faltou foi gente para “cornetar” (como se diz na gíria) Dunga, o capitão do tetra.


Ao longo desses três anos à frente da seleção, Dunga sofreu diversos ataques. Aliás, a carreira dele como jogador, já foi marcada por criticas. As pessoas diziam que ele não tinha futebol para jogar na seleção, que era um jogador limitado. Mas todos se lembram como acabou “era Dunga” na copa de 94 dos Estados Unidos, Brasil tetracampeão do mundo com Dunga de capitão levantando o troféu. E agora os críticos dizem (ou pelo menos diziam) a mesma coisa, não serve para a seleção por falta de experiência.

Dunga recebeu a missão de renovar a seleção, de formar um novo grupo, diferente daquele que foi facilmente derrotado na copa de 2006 na Alemanha. Talvez por conta disso, tenha sido combatido ainda mais ao convocar jogadores desconhecidos do povo brasileiro. É o caso do atacante Afonso, que ninguém conhecia, chamado várias vezes para resolver o problema de gols do ataque do Brasil. Na primeira competição oficial, a copa América de 2007 na Venezuela, deixou de fora nomes importantes como Ronaldinho Gaucho e Kaká. Os pessimistas davam como certa a demissão de Dunga no final da competição. Mas ao contrário do que os críticos especulavam, veio o primeiro grande triunfo do treinador. Numa final dos sonhos para os brasileiros, vitória de 3 a 0 sobre nosso maior rival, a Argentina, sagrou-se campeão continental.

Hoje, o país se rende ao trabalho de Dunga na seleção. Após 45 jogos sob seu comando o Brasil obteve 31 vitórias, 10 empates e apenas 4 derrotas. Um aproveitamento de mais de 76% dos pontos disputados. O ataque marcou 96 gols, a defesa sofreu 31, o saldo é de 65. A última conquista de Dunga e seus comandados foi o tri campeonato da copa das confederações, na África do Sul, palco do mundial de 2010. Com essa trajetória ninguém mais se atreve a duvidar da capacidade de Dunga no comando da seleção brasileira.


Este artigo foi publicado pelo jornal Diário da Região (Osasco) em 17 de julho de 2009. Também disponível em www.webdiario.com.br

Cresce apoios a Rogério Lins em Osasco

Por José Ricardo Pinto Cada vez mais favorito, o vereador e candidato a prefeito de Osasco, Rogério Lins do PTN não para de receber...