
Por José Ricardo Pinto
O Brasil está em vias de definir as normas para exploração do pré-sal, seu novo poço de petróleo. Quando foi descoberta a nova jazida, há aproximadamente dois anos, os especialistas colocaram em dúvida a viabilidade financeira da camada pré-sal devido à profundidade, de seis a sete mil metros. Para valer a pena o investimento, o preço do barril de petróleo no mercado internacional deveria está em torno de US$ 140 dólares. O governo do presidente Lula já enviou as regras de extração ao Congresso Nacional e pediu urgência na aprovação. Mesmo com o barril cotado abaixo de US$ 100 dólares.
O Brasil já havia anunciado auto suficiência em petróleo. Ou seja, o que é produzido aqui dá para manter o país inteiro e ainda sobra para exportação. Pelo menos é o que diz o governo. Agora com os bilhões de barris da camada pré-sal essa situação fica mais evidente. Podemos então, imaginar os benefícios dessa quantidade elevada de petróleo que o Brasil possui: gasolina mais barata, óleo diesel também com preço baixo, e claro, todos derivado do petróleo ficando mais acessíveis à nação.
Mas, não nos iludamos porque isso não vai acontecer. O ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, já se antecipou e disse que os preços da gasolina e do diesel não vão baixar. A riqueza do pré-sal, segundo o ministro, o governo quer aplicar, entre outras coisas, em obras sociais como as do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Investir no PAC é válido, mas o governo não consegue enxergar os benefícios para o Brasil de ter o preço do diesel e da gasolina em um nível mais baixo.
No Brasil, a grande maioria do sistema de produção é transportada pelas vias rodoviárias. Se o diesel fosse mais barato o preço do frete também seria. E com isso os produtos chegariam ao consumidor final custando menos, o que daria mais poder de compra aos brasileiros. Com o povo consumindo mais, o país cresce mais naturalmente. Mas, do ponto de vista do governo, é melhor investir em obras que possam ser mostradas depois. Vale lembrar que estamos a um ano da sucessão presidencial e quem está lá (o PT) precisa apresentar seus feitos para eleger o sucessor (a Dilma).
Os resultados efetivos da produção do pré-sal ainda vão levar anos para acontecer. Mas, o presidente Lula quer aprovar o projeto de lei que regulamenta a exploração ainda este ano. No ano que vem, com as regras aprovadas, o governo irá subir no palanque da Dilma, ano da eleição, e apresentá-las ao povo brasileiro.
O pré-sal está sendo usado como um feito político. Basta ver a propaganda que o governo está fazendo em torno da exploração. As coisas estão sendo conduzidas de maneira a dá impressão de que a riqueza pertence ao governo e não ao Estado brasileiro.
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