Por José Ricardo Pinto
Os especialistas em analise do futebol dizem que o técnico da seleção brasileira deveria ser um desses treinadores com muita experiência no cargo. Luiz Filipe Scolari, o Filipão, campeão da copa de 2002 é unanimidade. Wanderlei Luxemburgo, que já teve sua chance, também é bem cotado. Muricy Ramalho, Emerson Leão, Abel Braga, Paulo Autuori, Mano Menezes, entre outros, têm seus trabalhos reconhecidos, o que os credenciam para dirigir a seleção canarinha.
Mas, o que dizer quando alguém que nunca dirigiu time algum, assume o comando técnico do selecionado brasileiro? Críticas, muitas criticas, e até ofensas ao treinador. Foi o que aconteceu com Dunga quando assumiu o Brasil logo após o vexame de 2006 dos comandados pelo experiente e tetracampeão mundial, Carlos Alberto Parreira. O que não faltou foi gente para “cornetar” (como se diz na gíria) Dunga, o capitão do tetra.
Ao longo desses três anos à frente da seleção, Dunga sofreu diversos ataques. Aliás, a carreira dele como jogador, já foi marcada por criticas. As pessoas diziam que ele não tinha futebol para jogar na seleção, que era um jogador limitado. Mas todos se lembram como acabou “era Dunga” na copa de 94 dos Estados Unidos, Brasil tetracampeão do mundo com Dunga de capitão levantando o troféu. E agora os críticos dizem (ou pelo menos diziam) a mesma coisa, não serve para a seleção por falta de experiência.
Dunga recebeu a missão de renovar a seleção, de formar um novo grupo, diferente daquele que foi facilmente derrotado na copa de 2006 na Alemanha. Talvez por conta disso, tenha sido combatido ainda mais ao convocar jogadores desconhecidos do povo brasileiro. É o caso do atacante Afonso, que ninguém conhecia, chamado várias vezes para resolver o problema de gols do ataque do Brasil. Na primeira competição oficial, a copa América de 2007 na Venezuela, deixou de fora nomes importantes como Ronaldinho Gaucho e Kaká. Os pessimistas davam como certa a demissão de Dunga no final da competição. Mas ao contrário do que os críticos especulavam, veio o primeiro grande triunfo do treinador. Numa final dos sonhos para os brasileiros, vitória de 3 a 0 sobre nosso maior rival, a Argentina, sagrou-se campeão continental.
Hoje, o país se rende ao trabalho de Dunga na seleção. Após 45 jogos sob seu comando o Brasil obteve 31 vitórias, 10 empates e apenas 4 derrotas. Um aproveitamento de mais de 76% dos pontos disputados. O ataque marcou 96 gols, a defesa sofreu 31, o saldo é de 65. A última conquista de Dunga e seus comandados foi o tri campeonato da copa das confederações, na África do Sul, palco do mundial de 2010. Com essa trajetória ninguém mais se atreve a duvidar da capacidade de Dunga no comando da seleção brasileira.
Este artigo foi publicado pelo jornal Diário da Região (Osasco) em 17 de julho de 2009. Também disponível em www.webdiario.com.br
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